Nem toda tentativa frustrada é um erro, às vezes, é o ponto de partida de uma jornada.
Relato sobre minha primeira visita ao Consulado da Lituânia, com aprendizados importantes sobre agendamento consular, protocolos de atendimento e a importância da formalidade no trato com documentos. Um marco nos primeiros passos com processos de cidadania lituana e nacionalidade europeia no Brasil.
Para iniciar minhas publicações por aqui, quero compartilhar um dos momentos mais emblemáticos desses 8 anos lidando com Embaixadas e Consulados: a primeira vez que tentei — sem sucesso — um contato pessoal com um agente consular.
Não se tratava de um dos consulados com os quais costumo atuar hoje, mas essa história tem tudo a ver com o meu começo. Na época, fui procurado por uma pessoa interessada em obter a cidadania lituana. A Lituânia, um país báltico com uma migração discreta, mas marcante no Brasil, despertou minha curiosidade desde o primeiro contato — não só pela história, mas também pelas peculiaridades em relação à sua legislação de nacionalidade.
Durante uma viagem a São Paulo, e com algumas dúvidas a respeito dos requerimentos da cidadania, resolvi ir pessoalmente até a Repartição Consular, na esperança de conseguir ser atendido por algum agente diplomático.
Ao chegar, fui abordado pelo porteiro, que me informou que seria necessário agendar previamente para subir até o andar onde funcionava o Consulado. Pode parecer algo óbvio para alguns, mas vindo da advocacia brasileira — onde muitas vezes temos acesso direto a repartições públicas, sem grandes formalidades —, essa exigência me pegou de surpresa.
Esse foi meu primeiro grande aprendizado: em representações diplomáticas, o agendamento prévio é indispensável, para qualquer atendimento. Guardo até hoje o cartão que recebi naquele dia, com as instruções para entrar em contato por e-mail e solicitar os serviços desejados.
Desde então, adaptei completamente minha abordagem. Passei a tratar tudo formalmente e organizada, sempre por e-mail, com clareza nas dúvidas e nas solicitações.
O cliente, infelizmente, acabou não dando seguimento ao processo. Mas a experiência ficou — e foi valiosa. A partir dela, mergulhei nas especificidades legais da cidadania lituana e na sua história, marcada fortemente pela integração à antiga União Soviética.
Esse foi só o começo. E o primeiro de muitos aprendizados nesse caminho que sigo até hoje.
Por Marcelo Issamu Saito

