Da história da minha família nasceu minha missão: cidadania e novas oportunidades
Minha jornada pela cidadania portuguesa mostrou a importância de organizar documentos, entender procedimentos e planejar os custos.
“Se queres prever o futuro, estuda o passado.” Essa é a frase que melhor traduz minha trajetória. O restauro de laços e a busca por entender minhas origens sempre me moveram desde a juventude, tornando-se parte essencial da forma como enxergo a vida.
Nos almoços de família, esse sentimento ganhava ainda mais força. As conversas sobre nacionalidade portuguesa eram constantes e, sendo neto de português, cresci imaginando a possibilidade de um dia obter a mesma nacionalidade do meu avô.
Ainda assim, quando criança, esse desejo esbarrava em um grande obstáculo: como solicitar? Os procedimentos, documentos e custos eram uma incógnita para aquele Marcelo de apenas 12 anos, o que fez com que eu deixasse a ideia provisoriamente arquivada.
Os anos se passaram e, já na faculdade de Direito, esse tema voltou a ganhar espaço na minha vida. Em 2015, próximo da formatura, acompanhei de perto os debates sobre a legislação portuguesa para netos, ainda em fase inicial, mas que despertavam meu interesse.
Apesar disso, naquele momento, optei por trilhar outros caminhos na advocacia, direcionando-me para a área tributária e deixando, mais uma vez, em segundo plano o desejo de restabelecer meus laços com Portugal.
O ponto de virada veio em novembro de 2017, após uma conversa com um primo que reacendeu em mim a determinação de tirar os planos da gaveta. Naquele momento, a legislação para netos já estava mais consolidada e, com a segurança adquirida na advocacia, pude lidar diretamente com as Conservatórias em Portugal, avançando de forma concreta na transcrição do casamento e do óbito do meu avô.
Em 2018, consegui regularizar os registros do meu avô, abrindo espaço para que as gerações seguintes pudessem também exercer seu direito à nacionalidade portuguesa.
Essa vivência transformou meu olhar sobre a dupla cidadania. Deixou de ser apenas uma conquista pessoal para se tornar uma missão: auxiliar aqueles que, assim como eu, cresceram ouvindo em casa sobre a possibilidade de obter a nacionalidade europeia, mas não sabiam por onde começar, quais documentos reunir ou como enfrentar a burocracia.
Foi desse propósito que nasceu a Águeda, em homenagem à cidade onde meu avô português nasceu. Mais do que uma empresa, ela representa a união entre história, identidade e novas oportunidades.
Hoje, seguimos com essa missão: resgatar laços, restaurar histórias e realizar sonhos.
Por Marcelo Issamu Saito

